Segura a empolgação

Thalita Ezequiel 

Depois de viver um início de ano digno de filme de terror, com o time titular oscilando e mostrando um futebol pobre e o time reserva provando que não tínhamos um elenco, o atleticano finalmente se empolga com a temporada de 2018. Após a queda de Oswaldo de Oliveira, uma tragédia anunciada, dadas as limitações e histórico recente do ultrapassado técnico carioca, Thiago Larghi assumiu o comando como interino e deu à torcida motivos para sonhar.

Apostando num esquema mais defensivo, que não deixa os nossos zagueiros vendidos a cada lance da equipe adversária, o Galo conseguiu não tomar gols e balançar as redes sete vezes nos últimos dois jogos. Se antigamente dizia-se que a melhor defesa é o ataque, estatísticas recentes dos times campeões nos últimos anos mostram que, para conquistar títulos, é melhor apostar na defesa. É claro que, para isso, é necessário ter jogadores rápidos para fazer a transição ofensiva e matar o jogo. E foi dessa forma que o elenco atleticano foi montado, priorizando atletas velozes, capazes tanto de defender quanto atacar.

Se no jogo contra o América, no último domingo, o Galo já mostrou alguns sinais de evolução, sem sustos na defesa e dando uma folguinha para São Victor, na quarta-feira ele deu mais um passo em direção a uma equipe consistente e reativa. Jogando contra o Botafogo da Paraíba, invicto até então na temporada, pela segunda fase da Copa do Brasil, os comandados de Thiago Larghi provaram que já estão assimilando os conceitos do auxiliar técnico.

No início do primeiro tempo, a impressão era a de que teríamos dificuldades para colocar a bola no chão e encontrar o caminho dos gols. Até uns vinte minutos da primeira etapa, toda a saída da defesa era feita através de lançamentos, a maioria errados. Adílson foi o responsável por recuar, ficando mais próximo aos zagueiros e iniciando a transição ofensiva. Esse comportamento do volante foi essencial para o time no restante da partida.

A equipe paraibana apostou muito nos cruzamentos, sem sucesso. Alguns podem pensar que o Botafogo da Paraíba não é esse time todo que falavam antes do jogo. Mas acredito que boa parte da limitação apresentada se deu pelo bom posicionamento do meio e da defesa atleticana. O Galo, por sua vez, não fez um grande número de cruzamentos, mas foi em um de Otero, pela esquerda, que Róger Guedes abriu o placar de cabeça, no fim do primeiro tempo.

Após o intervalo, o Botafogo foi para cima e deixou espaços em sua defesa. E foi nesses espaços, principalmente após a entrada de Cazares no meio, que o Galo construiu a goleada por 4 a 0. Foram três assistências de Otero, que deve colocar na cabeça que precisa soltar a bola para seus companheiros, como fez ontem. Ainda marcaram Cazares, com dois belos dribles dentro da área, Ricardo Oliveira, com uma frieza impressionante diante do goleiro, e Luan, após contra-ataque de manual.

Agora, o Galo tem uma sequência que pode ser fundamental para a efetivação de Thiago Larghi no cargo de treinador. O time pega o Tupi, no domingo, pelo Campeonato Mineiro, o Figueirense, pela Copa do Brasil, no meio da semana, e depois encara o clássico mineiro no outro domingo. Mas, no momento, o atleticano só quer saber de aproveitar esse momento de empolgação, já que há muito não tinha esse gostinho de ver o time evoluindo e fechado com o comandante.

 

Foto: Bruno Cantini / Atlético