Revolução na base atleticana

Thalita Ezequiel

Após um mês de férias, a pré-temporada do Galo foi iniciada na quinta-feira da semana passada. Diretoria nova, muitas mudanças na base e o elenco mais modificado dos últimos anos. São muitas variáveis para tentar adivinhar se 2018 será ou não promissor. No entanto, alguns indícios me fazem acreditar, mais uma vez, que estamos no rumo certo. A intenção desse e dos posts seguintes será, justamente, tentar tirar a corneta de cena e trazer a esperança necessária para que a massa apoie e empurre o Galo para as cabeças novamente. Nesse primeiro post, falaremos das categorias de base.

A base foi o setor que apresentou mais mudanças no futebol para 2018. A saída de André Figueiredo, há mais de dez anos no clube, e a entrada de Marques foram só o começo. Não vou entrar no mérito se o ex-diretor da base era competente ou se tinha algum esquema com empresários, como ventilado no ano passado. Porém, acredito que tanto tempo no Galo pode ter gerado alguma acomodação e é fato que a revelação de talentos estava aquém do esperado pela estrutura que temos.

A experiência de Alexandre Gallo nas categorias de base, através da CBF, trouxe ideias novas que prometem alterar o processo de captação e formação dos jogadores. O que mais me impressionou na fala do novo diretor de futebol na reapresentação foi a noção da necessidade de definição de um modelo de jogo que abranja desde as categorias de base até o profissional. A intenção é que esse modelo seja utilizado para definir as características de quem chega ao time, facilitando a adaptação e a evolução. Isso já é aplicado na Europa e achei que demoraríamos muito para chegar nesse ponto.

Podemos ver a importância disso no fracasso de 2017. Pelo menos desde 2012, o Galo tinha um modo de jogar que priorizava a velocidade e o ataque. O estilo, batizado pela torcida de Galo Doido, necessita de jogadores rápidos nas pontas, voltando para marcar os laterais adversários, e um meio mais combativo. Em 2017, optou-se por contratar um treinador com um modelo completamente diferente, focado na defesa, o que, teoricamente, facilitaria a conquista de títulos. Entretanto, essa mudança demanda muito tempo e paciência, além de um elenco compatível com a proposta. Claro que, em seis meses, o projeto ainda não tinha resultados visíveis e foi interrompido. Com a definição do que o clube quer, em termos de treinadores e jogadores, espera-se que essas interrupções fiquem menos freqüentes e possamos ter maior continuidade nos trabalhos.

Além dessa definição, teremos, também, a ampliação da captação de jogadores na grande BH, através dos ex-atletas atleticanos Edgar e Ernani, e no Brasil todo, por meio de observadores técnicos. Ainda começaremos a procurar talentos nos países vizinhos. Outra mudança positiva será o acompanhamento dos atletas emprestados para outros clubes por Neguete, de forma que o Galo tenha um controle mais próximo do seu ativo. Por último, foi anunciada a participação de Éder Aleixo, ídolo da década de 80, no projeto Galo Forte. Esse projeto ainda não foi detalhado, mas, pela fala de Alexandre Gallo, deve ser focado na qualificação técnica e na transição das categorias de base para o profissional.

Com todos esses apontamentos, é possível vislumbrar uma estrutura de revelação de jogadores mais sólida. Isso é essencial para os clubes que não contam com as cotas de televisão desproporcionalmente altas ou com patrocínios surreais. Esse projeto visa mais o médio e longo prazo, porém pode ser muito importante para o equilíbrio financeiro e técnico buscado pela nova diretoria.

 

Foto: Bruno Cantini / Atlético