Mais uma vez, o futebol escancara o que há de pior nas pessoas

Bárbara Ezequiel

Mais uma vez, em 2017, o Cruzeiro me encheu de orgulho por ações além das quatro linhas. A primeira foi naquela campanha realizada no Dia Internacional da Mulher, a segunda foi com a iniciativa “Adote um Campeão” e a agora com a apresentação do Grupo Corpo na cerimônia de posse do novo presidente.

Como era de se esperar, esta última despertou reações diversas na torcida. Várias pessoas criticaram ou se ofenderam com a iniciativa do clube. O argumento delas é que futebol não combina com esse tipo de manifestação artística. Eu, particularmente, não consigo entender exatamente o porquê e até o momento, ninguém conseguiu me explicar.

Não consigo pensar em outro motivo que não seja o preconceito – por tratar-se de homens em uma apresentação de balé, torcedores sentiram que sua masculinidade foi ferida de alguma maneira. Um pensamento retrógrado e sem sentido.

Não há relação direta entre dança e homossexualidade, héteros podem dançar, gays também. Mesmo que houvesse, futebol é um esporte democrático, acessível a todos, não é exclusivo de heterossexuais e toda e qualquer torcida do mundo é composta por homossexuais, que devem ser respeitados.

Uma apresentação de dança não diminui a masculinidade de nenhum torcedor. É apenas, e tão somente, uma manifestação de arte.

Acho engraçado esse discurso de que futebol não é espaço para discutir arte, política, ética ou valores. Não é justamente o contrário? Por ser um espaço de acesso às massas, não deve exercer o futebol o papel de educar as pessoas? De contribuir para o desenvolvimento da sociedade?

Não é isso que queremos quando pedimos acesso com ingressos mais baratos? Ou quando batemos no peito para nos intitular “Time do Povo”? Ou quando pedimos ações com crianças em escolas públicas? Por que quando o clube se manifesta para quebrar velhos costumes e evoluir, percebemos tanta revolta?

O que vemos ao longo dos anos, é que o futebol escancara o que há de pior nas pessoas. Toda intolerância, violência e maus comportamentos que são repreensíveis no cotidiano, são expressos frequentemente no futebol e são atenuados justamente por estarem inseridos neste ambiente. Agressões, ofensas e até mortes são perdoadas e esquecidas como se não tivessem valor nenhum, como se fossem situações normais.

Atitudes que são condenáveis em qualquer outro contexto, também devem ser no mundo da bola. Racismo ainda é racismo, homofobia ainda é homofobia, machismo ainda é machismo, mesmo que dentro do estádio de futebol. Não há mais espaço para relativizar ou justificar esse tipo de comportamento.

“Ah o mundo está muito chato!”. Não, amigo. Você que está ficando pra trás. É tempo de parar de se omitir para as coisas e agir. Se podemos discutir melhorias para nossa sociedade, o futebol é lugar pra isso sim.

5 Comments

  1. O mundo vai ser melhor quando as pessoas pararem de se preocupar com coisas alheias e que não mudam nada em sua vida.

    Lembrando que o nome do clube é: Cruzeiro ESPORTE Clube. Por isso temos, time de futebol, futebol americano, vôlei e atletismo. Dança também não deixa de ser um esporte.

    Preconceito sujo e desnecessário.

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