Cruzeiro promove primeiro torneio internacional Sub-15 na Toca I

Bárbara Ezequiel

No período de 2 a 10 de dezembro, aconteceu, na Toca I, a Cruzeiro International Cup, competição que contou com a participação de Cruzeiro, Palmeiras, Botafogo, Internacional, Atlético MG, Flamengo, São Paulo, América MG e times internacionais: Universidad Católica (Chile), Jorge Wilstermann (Bolívia) e Red Bull Salzburg (Áustria).

No primeiro dia do torneio, os participantes do Midia Day tiveram a oportunidade de entrevistar Lucas Batista, técnico da equipe cruzeirense sub-15, o analista de desempenho das categorias de base, João Felipe Boaventura, o gerente do Departamento de Negócios Internacionais (DNI) Daniel Teixeira e acompanhar as partidas que aconteceram naquele dia.

LUCAS BATISTA:

image (1)Lucas, que chegou ao Cruzeiro em 2013, começa a entrevista contando que foi apelidado pelos colegas de Lucas Adilson Batista, pois por dois anos seguidos, enquanto treinador das equipes sub-14 e sub-15, não perdeu nenhum clássico contra o Atlético MG.

Sobre a Cruzeiro International Cup, o treinador ressaltou a importância desta competição, por ser a única que conta com a participação de times internacionais no ano.

Entende que se os atletas buscam vestir a camisa do Cruzeiro no profissional e disputar uma Libertadores da América com Mineirão lotado, a experiência de enfrentá-los ainda na base só tem a contribuir para sua formação e amadurecimento.

Ressalta ainda como a vivência de jogos mais brigados, “catimbados”, como tradicionalmente ocorre contra equipes sul-americanas, é essencial para a familiarização dos garotos com o estilo de jogo que irão disputar em competições internacionais já no profissional.

Acrescenta ainda sobre a importância da participação do Red Bull Salzburg (Áustria),  novidade nesta edição, por tratar-se de uma escola totalmente diferente da nossa, a europeia. Esse intercâmbio cultural também contribui muito para a evolução e amadurecimento dos atletas, também visando ao futebol profissional.

JOÃO BOAVENTURA

Analista de desempenho nas categorias de base, João Boaventura explica sobre a diferença do trabalho realizado em relação ao profissional. Segundo ele, o processo de análise e os protocolos são os mesmos, porém com fins distintos.

Por ser objetivo primeiro da base a formação de jogadores, a análise de desempenho trabalha com dados qualitativos e quantitativos para moldar o atleta individualmente, de forma a estar pronto para o futebol profissional.

Em contrapartida, nas equipes profissionais, a análise de desempenho visa o aprimoramento coletivo, uma vez que o objetivo principal é alcançar vitórias.

Segundo Boaventura, após cada partida, são selecionados lances pontuais e em conjunto com a comissão técnica, são repassados aos atletas os aspectos que devem ser aprimorados e aqueles que devem ser corrigidos.

Conta que a análise de desempenho dos adversários também é realizada, tanto para ser repassada aos atletas cruzeirenses antes e após as partidas, como também para a captação de novos talentos, segundo os interesses e perfil desejado pelo Cruzeiro.

DANIEL TEIXEIRA

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Gerente do Departamento de Negócios Internacionais, Daniel Teixeira explica que o principal objetivo do DNI é divulgar a marca do Cruzeiro, torná-la mais conhecida mundialmente e estabelecer parcerias, como já aconteceu com Austrália, Japão e Casaquistão.

Treinadores cruzeirenses já viajaram para a Austrália para ensinar crianças de outros países. No Japão, o Cruzeiro já participou de dois campeonatos da liga local, inclusive venceu a competição sub-17 e treinadores japoneses vêm à Toca 2 ou 3 vezes ao ano para um intercâmbio.

Apesar de o principal objetivo ser a divulgação da marca, Daniel Teixeira aponta a importância desses intercâmbios e parcerias para o desenvolvimento dos jovens atletas.

Conta que já foi jogador nas categorias de base no Cruzeiro e que naquela época não existia a possibilidade de jogar e interagir com times de outros países. Que essa experiência só pode ser benéfica para a formação dos jogadores, não apenas profissionalmente, mas também para amadurecimento pessoal.

Considera também que um aspecto positivo nestas parcerias é a oportunidade de conhecer outras escolas e metodologias, uma vez que cada país tem uma maneira particular de pensar o futebol.

Enquanto na Ásia prioriza-se a rapidez em detrimento da técnica, a Europa dá ênfase a este aspecto, além da força e o Brasil à criatividade.

Fato curioso que Daniel Teixeira conta ao final da entrevista é que só conseguiu trazer o Red Bull Salzburg da Áustria porque na Toca I há escola própria e o espaço foi cedido para que os austríacos pudessem receber aulas de uma professora que trouxeram junto com a comissão, uma vez que na Europa ainda é período letivo.

A impressão que fica após vivenciar um dia de competição na Toca I é a melhor possível. A estrutura do hotel, do refeitório, a academia recém-inaugurada e os campos são impressionantes.

É notável que há empenho do clube em investir na base, o que é bastante reconfortante. Meu objetivo pra 2018 é acompanhar a base mais de perto e comparecer em maior número de jogos. A dinâmica é bem interessante, vale a pena.

Fotos retiradas de cruzeiro.com.br (João Guilherme Oliveira e Gustavo Aleixo)