Visita inesperada

Thalita Ezequiel

Às vezes, a vida nos apresenta caminhos que não compreendemos. E esses caminhos podem nos levar a experiências maravilhosas, às quais não teríamos acesso por outros meios. Nesse ano, por uma injustiça que não vale a pena ser mencionada aqui, o que eu havia planejado para a minha vida deu errado. Foi difícil, certamente. Tive que optar por realizar um trabalho que não costuma me proporcionar bons momentos ou satisfação. No entanto, esse mesmo trabalho foi o responsável por permitir que eu tivesse uma das experiências mais marcantes no futebol: a visita ao Centro de Treinamento do Galo.

 img_1097.jpg

Fui designada para realizar os exames periódicos de todos os funcionários do CT. Os jogadores não entram nessa lista, pois fazem alguns testes especiais e avaliações mais direcionadas. Quando recebi a notícia de que teria essa tarefa, os olhos até brilharam. Apesar de estar nas arquibancadas há quase 30 anos, nunca tinha feito essa visita. Agora, a chance estava ali, nas minhas mãos. Estive na Cidade do Galo durante três dias inteiros. Primeiramente, realizando os exames nas categorias de base e, depois, no profissional. A estrutura me deixou boquiaberta. Desde o novo paredão, com o escudo se impondo na beira da estrada, até os pequenos detalhes em cada parte do CT.

IMG_1096

Fui extremamente bem recebida e pude conhecer quase todos os setores. O setor da base é impressionante, com hotel, academia, fisioterapia, psicologia, nutrição, departamento médico, restaurante – tudo de primeira qualidade. Com todo esse aparato, é de se esperar que a exigência por revelações seja tão grande. Já o setor profissional tem uma característica de tentar garantir ao máximo a privacidade dos jogadores, que também contam com uma estrutura de primeiro mundo. E, talvez por isso, o que é dito pelos funcionários é que os atletas se sentem muito à vontade e têm o desejo de permanecer aqui.

Foto CT

 

Após conversar com os funcionários de várias áreas, a impressão que fica é que o Galo é um bom lugar para se trabalhar. A maioria tem anos e mais anos de casa e nem pensa em sair. O clima é amistoso, apesar da cobrança por um processo de trabalho bem feito estar sempre presente. Saí do CT com mais orgulho de ser atleticana do que entrei. E com a sensação de que, mesmo em anos nos quais as coisas não saem como o planejado, podemos estar no caminho certo.