Vaguinha difícil

Thalita Ezequiel

De todo o Brasileirão 2017, o jogo de ontem foi o segundo que não consegui ver totalmente. Comecei a acompanhar no segundo tempo, logo antes do gol de Marquinhos Gabriel, o segundo do time paulista. Uma pena não ter visto o golaço de Otero, mais um para a galeria de gols bonitos do venezuelano, mas ainda deu tempo de ver o quase gol olímpico com curva ao contrário. Deu tempo também de ver Fred deixando Cássio no chão e mandando a bola por cima do gol, desperdiçando a chance que poderia consolidar nossa vitória.

Para o Galo, tudo parece mais difícil. Às vezes, penso que o atleticano deveria mudar essa mentalidade. Se o pensamento atrai energias, a máxima que diz que “se não é sofrido, não é Galo” complica bem a nossa vida. No entanto, é quase impossível não pensar isso quando vemos Jadson, que não jogou nada esse ano, comer a bola. Ou, então, quando um cruzamento vira um gol de falta, apenas o segundo do Corinthians nesse ano. Ou, ainda, quando Cássio falha bisonhamente, ao receber um recuo de bola, mas esta passa rente à trave e vai para fora.

Não é que o Galo tenha feito por merecer essa vaga na Libertadores. Inclusive, em alguns momentos, pareceu se esforçar para não a alcançar. Mas é difícil digerir que, em um campeonato no qual quase a metade da tabela consegue o feito, nós ficaremos de fora. A missão ficou mais complicada. Com a vitória do Vasco e da Chapecoense, precisamos, além de fazer a nossa parte no último jogo, contra o Grêmio, torcer por uma combinação de resultados. Há quem torça pela vitória do Flamengo, na Sul-Americana, e do Grêmio, na Libertadores. Tudo bem torcer pelo Grêmio, mas pelo Flamengo vai contra princípios básicos e históricos.

Com a definição da permanência do técnico Oswaldo de Oliveira, é hora de planejar o ano que vem. Tudo depende de chegar à Libertadores ou não, o que muda bastante o orçamento do time em 2018. Se a continuidade de Oswaldo encontra resistência por boa parte da torcida, ela também carrega alguns bons aspectos. Primeiramente, a chance de começar um ano com o mesmo comando do ano anterior, o que está sendo raro nas últimas temporadas. O segundo ponto é a redução do risco de outra aposta, como o ventilado Jair Ventura. E, por último, a chance de adiantar o planejamento do ano que se aproxima. Espero que dê certo!

 

Foto: Bruno Cantini / Atlético