Garantindo o empate?

Thalita Ezequiel

O jogo contra o Sport, pelo segundo turno do Campeonato Brasileiro, resultou no empate, com um ponto conquistado. Não foi dessa vez que conseguimos a sequência inédita de três vitórias seguidas, mas acumulamos sete pontos nos últimos três jogos com Oswaldo de Oliveira, um aproveitamento de 77,7%. No entanto, ficou um incômodo ao final da partida. Aquela sensação de que o time tinha capacidade de conseguir mais três pontos e abdicou disso.

Sem Robinho, suspenso, Cazares foi deslocado para sua função, enquanto Otero entrou pela direita. Elias retornou após suspensão e formou a dupla de volantes com Adílson. O Galo começou bem no jogo, criando algumas oportunidades. Mas a desorganização defensiva ficou evidente, com a zaga mais exposta do que nos jogos anteriores, possibilitando que o Sport abrisse o placar logo aos nove minutos. Ainda passamos alguns sustos após o gol, dando espaço a Diego Souza e Patrick.

Na marcação, Otero não conseguiu ser efetivo no auxílio a Marcos Rocha, que também não fez uma boa partida. Adílson, gripado, não manteve a pegada do último jogo, talvez sobrecarregado em alguns momentos por Elias, que não tem como característica a marcação tão forte. No ataque, Cazares, na função de segundo atacante, não pôde oferecer sua maior arma – a assistência. Otero foi muito pouco produtivo, apesar de participativo, prendendo muito a bola. Valdívia mantém o problema das partidas anteriores, pecando na tomada de decisão para o último passe. Mas se movimentou bastante e ofereceu perigo em alguns momentos. Por último, Fred desencantou. Já estava fazendo um bom jogo, se movimentando e conseguindo abrir espaços. Foi premiado por um gol, tirando a zica que o dominava há doze jogos. Acredito que ainda será muito importante, principalmente ao lado de Robinho.

As substituições no segundo tempo chamaram o Sport para cima. As saídas de Cazares e Valdívia, com as entradas de Clayton e Yago, tiraram praticamente todas as possibilidades de contra-ataque. E, quando um time limitado dá espaços na defesa, o outro tem que aproveitar, mesmo que seja como visitante. Por isso, discordei das alterações e da postura ao final do jogo, que refletiram um contentamento com o mísero pontinho conquistado. Perdemos uma posição e a oportunidade de nos mantermos na cola do Flamengo, em busca da vaga na Libertadores.

Enquanto nos preparamos para o jogo contra a Chapecoense, um fantasma ronda Oswaldo de Oliveira. Cuca foi demitido do Palmeiras, ficando livre no mercado. As especulações começam a surgir. Já haveria um acordo para Oswaldo assumir a diretoria de futebol, enquanto Cuca seria o técnico em 2018? Se não fosse o caso, valeria a pena demitir Oswaldo para trazer Cuca e começar a planejar 2018 desde já? Ou o negócio é seguir o contrato com o técnico atual até o final da próxima temporada, deixando Cuca dando sopa para outras equipes?

Algumas pontuações são importantes. Primeiramente, espero que a diretoria já tenha um planejamento traçado desde a demissão de Micale. A queda de Cuca era questão de tempo e o acordo com Oswaldo deveria passar por essa possibilidade. A segunda questão diz respeito ao passado recente dos dois treinadores. Ainda que Oswaldo tenha levado o Galo ao aproveitamento citado no início do texto nos seus primeiros jogos, seu último título no Brasil foi um Campeonato Carioca pelo Botafogo em 2013. Seus últimos trabalhos nacionais não tiveram bons resultados e saiu de todos os clubes antes de completar um ano nos mesmos. Por outro lado, temos Cuca, o responsável pelo maior feito da história recente do Galo – a conquista da Libertadores de 2013. Antes de chegar aqui, já tinha realizado boas temporadas no Botafogo e no Cruzeiro. No Galo, só não conquistou o Brasileiro devido ao favorecimento do Fluminense em 2012. Após passagem pela China, foi campeão brasileiro pelo Palmeiras no ano passado. Currículo para ninguém botar defeito.

É uma sinuca de bico. Já estamos no terceiro treinador do ano e próximos de afastarmos a possibilidade de rebaixamento. Uma mudança nesse momento poderia ser negativa, já que, ao que parece, os jogadores fecharam com Oswaldo. Mas é muito difícil abrir mão da possibilidade de contratar Cuca, ainda mais quando pensamos na sua capacidade de montar elencos vencedores. Vamos aguardar a confirmação ou não dos boatos. Quem sabe não veremos Oswaldo e Cuca formando uma parceria de sucesso em 2018!

 

Foto: Bruno Cantini / Atlético