Vitória da confiança

Thalita Ezequiel

O Galo voltou a vencer no Horto, após quase dois meses de resultados negativos em casa. Ainda conseguiu emendar duas vitórias seguidas, o que só havia acontecido uma vez nesse Campeonato Brasileiro. E não só venceu, como convenceu. Apoiado pela torcida, que parece ter comprado o discurso de Oswaldo de Oliveira, o time se impôs em seus domínios e criou inúmeras oportunidades.

O jogo começou com a tradicional pressão do mandante. Com muita movimentação no ataque e domínio no meio, o Galo envolveu o São Paulo, que não via a cor da bola. Robinho, inspirado desde que retornou à sua posição de origem e ganhou confiança do novo treinador, dava a dinâmica ofensiva, aparecendo muito na partida. Em uma de suas jogadas, proporcionou uma das chances mais claras do primeiro tempo, quando, em rebote de Sidão, Fred não conseguiu acertar o chute. O atacante mantém o jejum há doze jogos.

A zaga, com Gabriel e Felipe Santana, também mostrava consistência defensiva, não dando oportunidades para o deslocamento de Lucas Pratto, anulado no primeiro tempo. Santana ainda conseguia marcar presença na área adversária nas bolas aéreas e foi em um cruzamento que ele empurrou a bola para o gol e Sidão fez a defesa lá dentro. O juiz de linha de fundo, que aparentemente tem o melhor emprego do mundo, no qual ganha para assistir ao jogo, não validou o gol.

No segundo tempo, o Galo manteve a presença no campo de ataque. E logo nos primeiros minutos, Valdívia sofreu pênalti, após a clássica jogada de lateral de Marcos Rocha, na qual o São Paulo cai como ninguém. Fábio Santos bateu e converteu, com 100% de aproveitamento nas cobranças. Depois do gol, o time paulista passou a pressionar mais, principalmente com perigosas bolas cruzadas na área, que exigiram algumas intervenções de São Victor. O Galo teve várias chances de contra-atacar, mas pecava no último passe. No final, o placar foi o 1 a 0 magro mesmo, mas poderia ter sido muito mais.

É notável a melhora do time após a chegada de Oswaldo de Oliveira. Jogando com duas linhas de quatro e dando liberdade para Robinho e Fred, o técnico conseguiu ressuscitar o talento do pedalada. Ao invés de fazer o atacante recompor defensivamente, optou por deixar Valdívia e Cazares na marcação nos lados do campo. Além disso, montou um esquema eficiente de cobertura dos laterais pelos volantes Adílson e Roger Bernardo. Volantes que, aliás, merecem menção honrosa pelo tanto que jogaram.

No fim de semana, o Galo enfrenta o Sport, almejando a inédita sequência de três vitórias seguidas. Após nos distanciarmos da zona de rebaixamento, ficamos em oitavo lugar, a apenas dois pontos da zona de classificação para a Libertadores (lembrando que o Flamengo, sétimo colocado, ainda joga hoje). Ao final da 27ª rodada, voltamos a olhar para cima, finalmente. Ainda temos uma caminhada pela frente, mas, quando vemos evolução e dedicação, fica bem mais fácil acreditar.

 

Foto: Bruno Cantini / Atlético

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