Ninguém liga, mas é o Galo

Thalita Ezequiel

Nessa quarta-feira, a bola rolou pela Primeira Liga. Apesar de ninguém ligar para a fracassada competição, que é até esquecida algumas vezes durante o ano, a torcida pelo Galo persiste até em campeonato de cuspe à distância. A partida contra o Internacional, no Beira Rio, valia pelas quartas de final, em jogo único. Ambos os times foram a campo com escalações alternativas. Seria a oportunidade de vermos em que pé andava o futebol de Robinho, Fred e Clayton, que, ao lado de Valdívia, formaram o quarteto ofensivo de Micale.

A partida começou com muitos erros de passe pelos dois times, o que fez cair bastante a qualidade do jogo. Robinho e Valdívia se alternavam pela esquerda, com bastante movimentação do segundo, que, mais uma vez, se destacou. Pela direita, Marcos Rocha ficou mais preso na marcação e Clayton apareceu para o jogo, voltou para a recomposição e, para coroar uma atuação sólida, ainda fez um belo gol de fora da área. O jogador, apesar das limitações apresentadas no ano passado, dá uma opção interessante no ataque, com características de finalizador, porém com mais mobilidade. Acredito que ainda possa evoluir e mostrar o futebol que o fez ser disputado por algumas equipes na época de sua contratação.

Na etapa complementar, com a vantagem no placar, Micale optou por fechar o time. Fez alterações questionáveis novamente, tirando Valdívia e Clayton, que eram os melhores em campo, e colocando Ralph e Marlone. O esquema com três volantes chamou o Internacional para o nosso campo, dando muitas oportunidades de finalização para os colorados, que pararam nas mãos de Giovanni, aparentemente encarnando São Victor, e nos pés de Carlos, que certamente é atleticano. Ainda deu tempo de entrar com Mansur, ressuscitado dos mortos (ou time B), com seu inexplicável contrato eterno. Robinho, apesar de não ter mostrado aquele futebol do ano passado, ainda se coloca como opção, principalmente pela qualidade técnica que tem.

No final das contas, o que vimos foi uma equipe que está se reestruturando, após limitações claras do time de Roger. Micale parece já estar conseguindo dar um padrão de jogo, com linhas defensivas mais altas e um posicionamento ofensivo que prioriza a aproximação mais rápida do gol adversário, sem cruzamentos em excesso ou posse de bola sem objetivo. No entanto, o técnico ainda me parece muito inexperiente, com erros no decorrer das partidas que podem levar à perda de pontos importantes. Mantenho a torcida para que dê certo, afinal de contas, quem veste a camisa tem o meu apoio. E sobre a Copa Ninguém Liga, continuo não ligando, mas ai do Galo se perder!

 

Foto: Bruno Cantini / Atlético