Quando a sorte está ao nosso lado

Thalita Ezequiel

Durante esse ano, vimos muitos jogos em que o Galo jogou mal e perdeu e alguns em que jogou bem e perdeu também. Não importava o quanto torcíamos, a raça dos jogadores ou o sal grosso jogado no campo. As coisas simplesmente teimavam em não dar certo. Por um milagre, finalmente a sorte esteve ao nosso lado neste domingo, contra a Ponte Preta. E o feito veio dos pés de Otero, logo quem, tão criticado e improdutivo, mas que foi o mensageiro da paz. 

A 22ª rodada começou com o incômodo de uma zona de rebaixamento no nosso encalço, só esperando para dar o bote. E, apesar da escalação vir ao encontro do que a torcida pedia nos últimos dias, o primeiro tempo contra a macaca já fez a gastrite começar a atacar. E o ataque ficou só por conta da gastrite mesmo, já que os dois times foram muito improdutivos e criaram poucas chances. O Galo contava com a movimentação ativa de Valdívia pela esquerda, mas uma dificuldade enorme na saída de bola e na armação das jogadas. Foi castigado por um gol pouco antes do intervalo, em mais uma saída de bola equivocada de Victor, em lance parecido com o gol do Fluminense na última partida. 

O vestiário serviu para dar confiança aos jogadores e ajustar o posicionamento e a atitude de Elias, que, como volante mais avançado, deve participar ativamente da transição entre a defesa e o ataque. E assim ele fez, dando mais dinâmica ao meio e aparecendo na frente para concluir para o fundo das redes, em rebote de Aranha. O Galo manteve a posse de bola e pressionou mais os donos da casa. Rafael Moura, que não fez nada além de mostrar suas habilidades de domínio com a canela, foi substituído por Clayton, que manteve o padrão Clayton de qualidade. Otero entrou no lugar de Valdívia, cansado, para desespero de boa parte da torcida. E a terceira substituição, questionada por muitos, foi a entrada de Yago para a saída de Luan, talvez visando liberar mais Elias e evitar o habitual gol que costumamos tomar ao final dos jogos. 

Já nos minutos finais, Otero teve a oportunidade de bater uma falta frontal e, talvez por milagre, talvez por sorte, ou quem sabe até mesmo por uma qualidade que vez ou outra o venezuelano consegue mostrar, ele fez um golaço. E o gol de Otero levanta mais uma vez a questão pela torcida atleticana: não seria a hora de ter a função de kicker, como no futebol americano, no qual o jogador só entra para bater faltas? Fica aí a sugestão para a FIFA. No final das contas, o Galo venceu, garantiu os três pontos e se distanciou da zona de rebaixamento. E num campeonato em que a distância entre o G6 e o Z4 é de apenas seis pontos, nos aproximamos novamente da classificação para a Libertadores.

A próxima partida é na quarta-feira,  contra o Internacional, pela Copa Ninguém Liga. Ninguém mesmo. Não devia nem existir. Ao que parece, o Galo deve ir com o time titular, já que o próximo jogo do Brasileirão será só daqui a duas semanas. Por mim, mandava o time B e aproveitava para fazer uma intertemporada. Poderíamos chegar fortes para o jogo contra o Palmeiras e, quem sabe, ajudar a derrubar Cuca, já deixando o técnico em Belo Horizonte e começando o planejamento para o próximo ano. Bem, não custa sonhar.

 

Foto: Bruno Cantini / Atlético

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