O desânimo toma conta

Thalita Ezequiel

Se o luto tem algumas fases, eu estou na transição da raiva para a aceitação. Já xingamos, lamentamos o calendário, pedimos a cabeça do técnico, criticamos jogadores e descemos a lenha na diretoria. Mas agora que o calendário aliviou, o técnico caiu, os jogadores mostraram o que teoricamente têm de melhor no momento e a diretoria já deu mostras de que não vai tomar outras atitudes, não sobra muito motivo para brigar. O que sobram são decepções. 

O jogo contra o Fluminense, segundo do returno, era ideal para iniciar uma sequência de resultados positivos. O time tricolor não vinha em fase boa e, com o elenco cheio de garotos, isso tende a pesar mais. O Galo, por sua vez, vinha da tão sonhada semana cheia de trabalho, com a tranquilidade de uma rara vitória em casa. Entretanto, se a promessa era de um time já com a cara de Micale, seria essa cara a mesma de Valdívia, poko lindo? Valdívia que foi um dos únicos que salvou, inclusive, entrando bem no segundo tempo, marcando um gol e mandando a bola na trave em outra oportunidade.

O primeiro tempo mostrou uma proposta mais conservadora do Galo, fechando os espaços na defesa, no esquema 4-1-4-1. Funcionou por pouco tempo. O Fluminense precisou rifar a bola algumas vezes, até entender que o volante-chave do esquema era o limitado Roger Bernardo e que os meias não fariam a recomposição em todos os momentos.  Quando decidiu colocar a bola no chão, criou cinco oportunidades que obrigaram Victor a fazer seu papel de santo. Até que em um cruzamento, deixaram o centroavante, artilheiro do campeonato, cabecear sozinho em jogada de escanteio e abrir o placar para os donos da casa. Pelo lado alvinegro, apenas uma jogada foi criada e o time não conseguiu manter a posse de bola, com Cazares isolado na esquerda e Elias, mais uma vez, inoperante pelo meio. 

No segundo tempo, sem Micale no banco por expulsão, Valdívia substituiu o fraco Roger Bernardo e deu mais mobilidade no meio. Cazares finalmente foi deslocado para a posição em que rende mais e foi numa tabela entre os dois jogadores que veio o empate. Fred também entrou em campo, mas apenas pra mostrar sua maturidade do alto de seus 33 anos, ao tomar um cartão amarelo infantil e ficar fora da próxima partida, e Robinho, faltando cinco minutos, não sei com qual objetivo. Com um posicionamento na marcação no mínimo peculiar, o Galo tomou mais um gol de Henrique Dourado. No lance, Rocha e Luan eram os responsáveis pela marcação do atacante, o que me faz questionar se seria melhor arrumar outra competição para disputarmos, apenas para que o time não piore mais com as tais semanas cheias. 

O Galo, nesse momento, é o 13º colocado, a três pontos da zona de rebaixamento. Alguns dirão que podemos optar por ver o copo meio cheio, já que estamos a seis pontos do G6. Pessoal, se vocês conseguem ser otimistas a ponto de ver esse jogo de hoje e acreditar em G6, eu não sei se tenho admiração ou só preocupação com sua saúde mental. Eu, particularmente, estou acendendo uma vela para que a queda de Cuca no Palmeiras aconteça o mais rápido possível. Quem sabe assim não reeditamos 2011, nos livrando do rebaixamento e iniciando uma nova fase promissora, como fizemos em 2012.

 

Foto: Bruno Cantini/Divulgação