Há tempo para críticas e há tempo para jogar junto

Bárbara Ezequiel

Cada torcedor tem uma história particular com o time do coração. A forma como se apaixonou pelo esporte, a influência que ele tem em sua vida, o espaço que cada um permite que um clube de futebol ocupe em seus pensamentos, isso é muito pessoal. Em casa mesmo, meu pai não consegue entender o que me leva a dedicar tempo e amor ao Cruzeiro. Ele considera futebol uma futilidade e não adianta eu tentar explicar ou transmitir pra ele a importância que esse clube tem na minha vida. Como eu disse, amor por futebol é muito particular.

Sempre fui defensora da ideia de que torcer é livre, cada um faz da maneira que acha certo e que lhe convém. Se o seu estilo de torcer é em casa, vendo o jogo pela TV, ou se você é à moda antiga e prefere ouvir pelo rádio, se prefere nem assistir, pois fica muito nervoso, ou se gosta mesmo é de estar na arquibancada, não cabe a absolutamente ninguém palpitar ou ditar regras sobre isso. Não há jeito certo de torcer. E não há motivo certo para torcer.

Eu, particularmente, sofri influência muito grande do Cruzeiro na minha vida, muito maior que se possa imaginar. Foi no Mineirão que descontei problemas e frustrações e foi lá que eu vivi momentos muito felizes e inesquecíveis. La também já deixei umas boas lágrimas, tanto de tristeza, quanto de felicidade. Acredito que o futebol exista para ser desfrutado.

Em tempos de redes sociais, sinto que isso se perdeu um pouco. Especialmente após a primeira partida contra o Grêmio, o que se vê é um sentimento negativo pairando no ar, pessoas cabisbaixas e pessimistas, já considerando o Cruzeiro como desclassificado. Eu compreendo que os últimos anos não foram fáceis e destoaram do que o cruzeirense está acostumado. Mas não há nada perdido ainda. Estamos falando de Copa do Brasil, competição que conhecemos bem e um dos aspectos mais apaixonantes do mata-mata é a imprevisibilidade. Dentro de campo não há favoritismo, não há estatísticas, nem retrospecto. São onze contra onze.

Que o jogo seria difícil, não é novidade pra ninguém, todos sabíamos disso. Era um jogo pra ser frio e estratégico. O mais importante era voltar de Porto Alegre com um resultado reversível. E voltamos. O melhor dos mundos seria fazer um gol fora. Mas não há nada perdido. Pela nossa tradição e pelos jogadores que temos, vencer e classificar é totalmente possível.

Então, faço um apelo ao torcedor cruzeirense: não jogue a toalha ainda. Não desista da classificação. Acredite nesse time e nessa camisa. Não estou falando em fechar os olhos para as falhas do time. Mas há tempo para críticas e há tempo para jogar junto. Nesse momento o Cruzeiro precisa de nós. Vamos com ele até quarta-feira, confiando nessas cinco estrelas e na força que elas têm. A corneta pode esperar.

Foto: Washington Alves/Light Press/Cruzeiro

2 Comments

  1. Bárbara, esse sentimento negativo só existe mesmo nas redes sociais. Aliás, esse é um dos grandes problemas das redes sociais, as coisas negativas ficam deveras escancaradas. Apesar da má fase do nosso time, tenho certeza de que na quarta feira o Mineirão estará lotado de cruzeirenses extremamente confiantes. Acho de verdade que nenhum cruzeirense vai entrar no Mineirão, ligar sua TV ou seu rádio convicto de que está tudo perdido. Se nas redes sociais as coisas negativas tendem a tomar conta de tudo, fora delas ainda existe um mundo de muita esperança e otimismo. Que vença o melhor time! (Se bem que o Grêmio está melhor que o nosso Cruzeiro né, deixa esse negócio de melhor time pra lá, que vença o Cruzeiro!)

    Curtir

Comentários encerrados.