Ressaca de um ano perdido

Thalita Ezequiel

Hoje foi difícil acordar. Após ir ao Mineirão no horário cruel das emissoras de televisão, torcer como se não houvesse amanhã, chegar em casa de madrugada e virar na cama de um lado para o outro durante um bom tempo, percebemos que o amanhã chega rápido demais. E com ele vem o gosto amargo de mais uma derrota e da desesperança.

Se a partida dessa quarta-feira, contra o Jorge Wilsterman, era o jogo do ano para o Galo, as nossas expectativas para o restante da temporada podem ser bem pessimistas. Ontem, o que não faltou foi vontade dos jogadores alvinegros. Faltou mesmo foi futebol. As limitações estão aí, escancaradas para quem quiser ver. Em 180 minutos, o time não foi capaz de fazer um mísero gol num time boliviano. 

Foi penoso ver mais um jogo de cruzamentos para consagrar a zaga e treinar o goleiro adversário. Foi triste cantar o célebre “Eu acredito” com aquela desconfiança gritando dentro de nós que nesse time não dá para acreditar tanto assim. Mas foi pior ainda ouvir o lunático presidente, em sua tradicional e trágica entrevista pós-jogo, falar de mais uma obrigação do time: o G6 do Brasileirão. 

No momento atual do Galo, só consigo projetar uma briga pelos 46 pontos na tabela, um Micale de tapa-buraco até o final do ano e um balanço bem negativo do mandato do senhor Nepomuceno. A esperança fica por conta da possível reformulação para 2018, desde a diretoria até os jogadores, passando, claro, pela comissão técnica. De preferência, com uma diretoria que saiba gerir pessoas e entenda que a alma do clube é o futebol.

 

Fotos: Bruno Cantini/Divulgação