Noite frustrada

Thalita Ezequiel

A noite da última quarta-feira prometia. Promoção de ingressos, volta ao Mineirão, mais de 45 mil torcedores apoiando e um Corinthians sobrando na ponta do Campeonato Brasileiro como adversário. Cenário perfeito para imaginar uma volta por cima triunfal do Galo, time que era colocado como um dos favoritos no início da temporada, mas que mostra sérias limitações a cada jogo. Já imaginava o texto escrito no blog hoje: “Foi épico! O Galo voltou a ser dono do seu terreiro”. Infelizmente, nossa caminhada esse ano não parece ter muita brecha para viradas heroicas.

O Galo jogou o primeiro tempo de forma semelhante aos últimos jogos em casa. Mantinha a posse de bola e pressionava quando a perdia, mostrando volume de jogo. É sempre aquele início para iludir a torcida com um “hoje vai dar certo”. E, mais uma vez, não deu. Ainda podemos ver aquela filosofia de Roger Machado, que priorizava a posse, mas não agredia o adversário. O cenário já está desenhado: saída de bola com os zagueiros, que encontram Rafael Carioca. O volante abre para um dos laterais, que tenta uma troca de passes pelos lados do campo. Quando não consegue, volta ao meio e inverte a jogada para a outra lateral. E, assim, o time fica rodando a bola longe da área, sem chances para finalizar.

No jogo de ontem, ainda conseguimos ver tentativas de mais jogadas pelo chão, ao invés de 50 cruzamentos. Isso foi um alento, pois mostra a possibilidade de evolução. Roger, em coletiva após o jogo contra o Santos, afirmou que “com as características que esse time tem, o jeito de jogar será esse mesmo”, quando questionado sobre o número elevado de cruzamentos. Não acredito que essa característica possa resumir nosso time. O Galo tem um meio campo muito técnico, com um armador com visão de jogo, passe e velocidade, volantes que têm qualidade para chegar à frente, laterais que apoiam bem. O que falta para esse time conseguir colocar a bola no chão e entrar na área adversária tabelando? Bom, talvez um atacante rápido (alô Micale, não é o Pablo!), mas, ainda assim, não é um time restrito à bola aérea.

Se, por um lado, as tentativas do Galo foram infrutíferas, por outro o Corinthians foi muito preciso. As poucas oportunidades que tiveram de chegar ao gol de Victor foram efetivas e resultaram em dois gols, sendo um de Jô, para tristeza do saudoso coração atleticano. Tentando ser um pouco otimista, podemos destacar alguns pontos positivos, mesmo na derrota: a atuação de Gustavo Blanco, contratado sem badalação, mas mostrando um futebol eficiente, tanto defensiva quanto ofensivamente, o retorno do futebol do Rafael Carioca, que parece ter decidido jogar novamente, e a subida de produção de Marcos Rocha, que completou seu sétimo jogo no campeonato e não sai do Galo esse ano (amém!).

Temos pela frente uma sequência de jogos difíceis. Vamos enfrentar o Grêmio, em Porto Alegre, provavelmente com time misto ou reserva. Logo depois, o Galo joga a Libertadores, precisando buscar o resultado em casa contra o Jorge Wilstermann. Finaliza a série complicada contra o Flamengo, também como mandante. Minha expectativa fica por conta da Libertadores, já que no Brasileirão já vimos que a situação não é favorável. Se conseguirmos avançar, Micale pelo menos terá mais tempo para treinar o time e, quem sabe, mudar um pouco esse panorama desfavorável de 2017.

 

Foto: Bruno Cantini/Divulgação

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