Pedido à massa

Thalita Ezequiel

O Galo fez um bom jogo contra o Coritiba nesse domingo, chegando ao meio da tabela e ganhando um fôlego no Brasileirão. O resultado foi 2 a 0, mas poderia tranquilamente ter sido mais elástico, não fosse o juiz, mais um pênalti perdido e finalizações inacreditáveis. A campanha como visitante continua irretocável, porém como mandante temos aproveitamento de rebaixado. O que me leva a um assunto que acredito ser mais importante do que a vitória conquistada.

O futebol mudou muito nos últimos anos. A construção de arenas modernas, substituindo as arquibancadas pelas cadeiras, aliada à visão do torcedor como consumidor, afastou boa parcela da torcida dos campos. O brasileiro parece ter mania de imitar o europeu, querendo seu público de terno, aplaudindo cada lance, como se fosse aquele ponto conquistado no tênis. Nesse contexto, o torcedor que vai ver o time jogar in loco, principalmente os sócios, exige um espetáculo que justifique o dinheiro gasto.

Para quem se acostumou com um Mineirão lotado, torcida espremida na geral recebendo líquidos suspeitos na cabeça, arquibancada balançando com mais de 50 mil pessoas pulando e cantando, ver o perfil de quem vai aos jogos hoje é muito triste. O torcedor-consumidor não canta, não apoia, não incentiva. Ele esquece que é torcedor e vaia quando o espetáculo não está do seu agrado. Essa pessoa está lá simplesmente para ver o time jogar, e não para fazer o time ganhar. Ele não entende o poder do grito, dizendo que o Galo é o time da virada, o Galo é o time do amor.

Na próxima quarta-feira, o Galo entra em campo contra o Corinthians. O time se encontra pressionado, naquela fase em que a bola não entra nem com reza brava. A pressão do torcedor-consumidor no Independência não ajuda quando é contra o nosso patrimônio e transformou o Horto no nosso próprio calvário. Por isso, a diretoria tomou a decisão de mudar esse jogo e o seguinte para o Mineirão, com ingressos mais baratos.

Vocês se lembram da época em que Bilu comandava o meio, Werley tirava (ou não) as bolas da área pelo alto e Catanha era o matador? Naqueles tempos, empurramos o time, pois sabíamos que precisava de muita força para dar certo. O meu pedido à massa é um só: que cante, pule e empurre os jogadores para a vitória, lembrando que é muito mais fácil gritar para Robinho, Cazares e Elias jogarem bola, já que sabemos que talento eles têm. Vamos fazer do Mineirão um caldeirão e ser aquele 12º jogador que ergueu o Galo da segunda divisão em 2006 e o alçou ao topo da América em 2013. Se alguém errar o passe, cante. Se alguém entregar uma bola, cante. Se alguém errar a finalização, cante. Até a garganta sangrar. Até o Galo ganhar. 

 

Foto: Bruno Cantini/Divulgação