Carta aberta ao presidente

Thalita Ezequiel

Caro Daniel Nepomuceno,

Quando você assumiu a presidência do Galo, em dezembro de 2014, éramos campeões da Copa do Brasil. Após três viradas épicas, derrubamos nossos principais rivais, Flamengo, Corinthians e Cruzeiro. A campanha memorável foi comandada por Levir Culpi, técnico que soube administrar bem o elenco e nos levaria também ao vice-campeonato brasileiro no ano seguinte. Quando tomou a decisão de mandá-lo embora, você já começou a mostrar seu despreparo. Jogou um planejamento todo no chão, começando a temporada de 2016 com Aguirre, um técnico com estilo muito diferente daquele que fora implementado, com sucesso, nos anos anteriores. E, claro, ele não durou muito tempo no cargo.

O ano de 2016 pode não ter sido tão desastroso dentro de campo, afinal, após a chegada de Marcelo de Oliveira, conseguimos chegar à final da Copa do Brasil e ficar em quarto lugar no Campeonato Brasileiro. Mas esse ano, presidente, foi crucial para o que se sucedeu. Sabe por que, até esse momento, você conseguiu ter êxito na condução do clube? Porque ao seu lado tinha uma pessoal sensacional, que conduzia o futebol de forma magistral: Eduardo Maluf. Quando Maluf ficou doente e não pôde atuar da forma que fazia anteriormente, você achou que sabia como gerir o futebol. Mas tenho uma revelação: você não entende nada disso! Desde então, temos um ignorante comandando o que é mais importante dentro de um clube de futebol.

Com todo esse despreparo, você demitiu Marcelo no final de 2016 e contratou Roger. Todos apostavam nele, mas é inegável que, mais uma vez, não havia planejamento, já que o estilo do técnico não tinha nada em comum com os anteriores. Sua limitação, presidente, ficou muito clara quando vemos o elenco montado em 2017. Estamos em julho e temos apenas três atacantes disponíveis, todos lentos. Não, Nepô, Otero não é atacante. Pratto, Carlos e Clayton eram atacantes. Por mais que os dois últimos sejam questionáveis, tinham seu papel na composição do plantel e foram descartados sem reposição. Mais uma vez, estamos em julho, e só temos um armador, Cazares. Metade do ano já se foi e precisamos contar com mil lesões para descobrir algum zagueiro bom na base, já que suas contratações não foram, de forma alguma, certeiras.

Enfim, presidente, você foi capaz de pegar um dos melhores times do Brasil e transformá-lo num coadjuvante. Hoje, simplesmente não temos o respeito de ninguém, nem mesmo da nossa própria torcida. Tudo por decisões erradas ano após ano. Seu trabalho é pífio e me lembra uma época muito sombria. Nunca pensei que você seria do tamanho do Kalil, mas também não achava que chegaria ao patamar de Ziza Valadares. Você não soube fazer e não soube delegar. Se pudesse realizar um desejo em relação ao Galo, seria vê-lo muito longe dele. Quem sabe assim, sua apatia e despreparo não deixariam de contaminar os jogadores. 

 

Foto: Bruno Cantini/Divulgação

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