A gestão (ou falta de) que está acabando com o Galo

Thalita Ezequiel

Jogo após jogo, a cena se repete. O Galo, principalmente quando joga em casa, é refém de uma única jogada: o cruzamento. O jogo contra o Vasco, pela 16ª rodada do Brasileirão, não foi diferente. Giacomini mandou a campo um time misto, que não chegou nem perto de fazer uma partida decente.

O elenco, mais uma vez, se mostrou fraco. Contamos com Marlone e Otero como opção ofensiva no meio e isso, meus amigos, é lastimável. O primeiro só conseguiu jogar futebol no Sport. Enganou no Vasco, Cruzeiro e Corinthians. E o bobo da vez é o Galo. O segundo surgiu como uma esperança. Prometia ser um jogador bom e com raça, com a vantagem da bola parada. Hoje, só conseguimos ver a raça e jogadas que nunca têm sequência.

O que estamos presenciando ao longo dessa temporada é, simplesmente, a falta de gestão. Ainda que possamos ver o clube caminhando em direção à saúde financeira, buscando o estádio próprio e conseguindo negociar suas dívidas, o foco deve ser seu único motivo de existir: o futebol. E, no momento, o que temos para cuidar desse departamento é um presidente que acha que Otero é atacante, um superintendente que diz não ser diretor de futebol e um técnico recém-contratado e inexperiente substituindo aquele que pediu Marlone como opção. 

O pior desse cenário que se desenhou ao longo dos últimos sete meses (ou talvez dos últimos dois anos) é a falta de perspectiva de mudanças. Afinal de contas, o presidente continua o mesmo e parece estar satisfeito com os jogadores contratados. Tanto que repete, após cada derrota, que pelo menos um título esse ano é obrigação. Caro Daniel Nepomussono, estamos na briga para não cair. Obrigação era ter um bom projeto e segui-lo, montar um elenco equilibrado, ter alguém ao seu lado que realmente entende do riscado. Com esse elenco e o futebol apresentado, ganhar título é utopia, isso sim. 

Hoje, começamos do zero novamente. Micale chega com rejeição de boa parte da torcida, com a tarefa de fazer um time que só vive de chuveirinho tocar a bola e encontrar espaços. Torço muito para que dê certo, apesar de não estar confiante. Quem sabe assim possamos apostar na continuidade de um trabalho, ao invés de girar 180 graus a cada revés, na procura do caminho certo.

 

Foto: Bruno Cantini/Divulgação