O machismo nosso de cada dia

Thalita Ezequiel

Na posição de quem ama futebol desde que se entende por gente, até se propondo a escrever um blog sobre isso, sendo mulher, não dá para deixar uma declaração machista passar batida. Guto Fernandes, técnico do Inter, após ser questionado pela repórter Kelly Costa sobre a eficácia de seus jogadores nas finalizações, disse que o entendimento da mesma seria limitado, por possivelmente não ter jogado futebol, já que é mulher. 

Vamos ao jogo dos erros. Primeiramente, ninguém precisa ter praticado um esporte para entender sobre ele. O próprio Guto nunca foi jogador profissional e hoje é técnico de um dos grandes clubes brasileiros. Em segundo lugar, o que justifica presumir que uma mulher não jogou futebol, apenas por ser mulher? O terceiro equívoco se encontra no simples fato de não responder à questão da forma que faria se qualquer homem que estivesse na entrevista coletiva perguntasse. Enfim, uma sucessão de erros em mais uma tentativa de desqualificar a mulher, colocando-a como um peixe fora d’água no futebol.

Guto Ferreira até pediu desculpas. Mas o que nós queremos mesmo é ter que parar de provar dia após dia que pertencemos ao futebol tanto quanto qualquer homem. Que não precisamos ter que falar a escalação do nosso time sempre que expormos nossa paixão. Que não vamos ao estádio para servir de enfeite, mas sim para torcer. E, finalmente, que a competência profissional não deve ser influenciada pela distinção de gênero, mas simplesmente pela qualidade dos serviços prestados. 

 

Foto: Twitter/Reprodução

2 Comments

  1. De fato, a atitude do Guto Ferreira alem de ser lamentável, demonstra de forma clara o que muitas profissionais sofrem no dia a dia, a premissa que, o sexo do profissional define competência ou sabedoria. O que jamais foi ou será verdade. Sou suspeito pra falar, fui criado por mulheres desbravadoras, que me ensinam sobre a equidade e a igualdade de que mulheres e homens são capazes de realizar aquilo que realmente querem. Voltando ao centro de campo, o pedido desculpas do Guto, acredito eu, fora um ato meramente protocolar. A atitude só muda com a presença amiúde e massiva das mulheres no futebol, como o blog de vocês duas, o trabalho da jornalista Kelly Costa e de tantas outras mulheres que pela paixão pelo esporte continuam firmes nas opiniões e trabalhos.

    Curtir

Comentários encerrados.