Três considerações

Bárbara Ezequiel

Sobre o jogo: a vitória contra o Flamengo não veio, mas saí do Mineirão muito satisfeita com a atuação do time. Se pararmos pra pensar, a posse de bola foi  bem mais expressiva pra eles, mas o  Cruzeiro criou mais e melhores chances de gol.  E apesar do gol sofrido, a defesa foi bem segura, e sinceramente, até o Léo tem se portado melhor, com a entrada do Murilo.

O Flamengo é um time que me preocupa bastante, já há algum tempo, agora que a gestão do clube está mais organizada, e considerando que a receita deles é bem superior a nossa, ver o Cruzeiro jogar de igual pra igual com eles, se portando como o time grande que é, me trouxe certo conforto, que vai além desse campeonato brasileiro.

Aos que estão execrando Sassá, não consigo ter raiva de um jogador que no primeiro minuto na partida, marca um gol. Ele saiu do jogo lamentando o lance em que não tocou para Rafael Sóbis, disse que foi muito rápido, que não viu o companheiro e ainda pediu desculpas. Sejamos tolerantes com ele, pelo menos dessa vez.

Sobre Abila: entendo que ele seja goleador, que tenha marcado gols importantíssimos, especialmente ano passado. Mas o sofrimento que sua possível saída tem causado em parte da torcida, está um tanto exagerado. Jogadores que não têm muita qualidade técnica e com dificuldade em jogar fora da área, não me agradam muito, mas isso é uma questão mesmo de ponto de vista.

Abila chegou ao Cruzeiro antes de Mano Menezes e não se encaixa no esquema idealizado pelo treinador, não foi pago ainda, e ao que parece, Cruzeiro não tem condição de quitar esta dívida. O jogador já se mostrou insatisfeito em ser reserva, o que eu acho irritante, particularmente. Se apareceu uma boa oportunidade de negócio, o clube está certo em liberá-lo.

Sobre Romero: é impressionante a postura dele em campo. Quando chegou aqui, tinha um número elevado de faltas exageradas e cartões amarelos. Foi colocado na reserva, trabalhou em silêncio, durante meses. Quando a oportunidade de retomar a titularidade apareceu, não desperdiçou. E desde então, tem sido só orgulho. Nos últimos dois jogos, atuou improvisado na lateral direita e ainda assim, foi bem. Não só taticamente, mas na raça e empenho. Uma das coisas que mais enchem minhas vistas é jogador que dá sangue pelo time, que acredita em todas as jogadas, que vibra. Merece toda a nossa admiração.

 

Foto: Maurício Farias/Light Press/Cruzeiro