Sobre ser cruzeirense nos últimos anos

Bárbara Ezequiel

2013 e 2014 foram anos inesquecíveis, ir pro Mineirão significava ver o time vencer, senão vencer, assistir a um espetáculo de bola. Lembro de ir ao estádio pensando “será que hoje a gente vence de quanto?”. Até pode soar arrogância, mas aquela equipe nos transmitia esse tipo de confiança.

Quando o Alexandre Mattos saiu, foi bem decepcionante, éramos gratos a ele, por tudo que tinha acontecido nos dois últimos anos, pela equipe vencedora que ele ajudou a construir. Mas, apesar de estar desapontada, eu estava tranquila. Confiava no Gilvan e dizia isso aos quatro ventos.

Quem poderia imaginar o que estaria por vir? Sabíamos que anos como aqueles não se repetiriam sempre, um encaixe tão perfeito em uma equipe de futebol, não acontece todos os dias. Mas a decadência que se iniciou a partir do fim de 2014, nem o mais pessimista dos cruzeirenses poderia prever.

2015 foi um verdadeiro show de horrores, contratações absurdas, demissão de treinador, time sem diretor de futebol por meses, briga contra rebaixamento quase o ano inteiro. Um teste de fidelidade para o torcedor. Mas estávamos lá, apoiamos o time. Quem estava no Mineirão naquele Cruzeiro x Santos, nunca mais vai esquecer os gritos de “ZERO” que soavam como um pedido de socorro. Com apoio do torcedor e com a ajuda do Mano Menezes (sim, temos que reconhecer), escapamos do pior.

Terminamos o Brasileiro aliviados, 2016 será melhor, pensávamos. Então, Mano Menezes foi embora, efetivamos Deivid, e começamos tudo outra vez. Contratações sem sentido, demissões de treinadores, luta contra rebaixamento. Parecia que 2015 não tinha acabado. Volta o “salvador”, de novo ele. Escapamos novamente.

2017 era o ano da redenção: bom, agora a diretoria vai acertar o passo. Mantiveram o treinador, fizeram boas contratações, começamos o ano vencendo, parecia que as coisas iriam se ajeitar. Só parecia.

O time não se encaixa, não há zagueiros e laterais no elenco, apresentações tenebrosas, e o torcedor, que há 2 anos e meio espera que o Cruzeiro volte a ser como era, continua sem grandes perspectivas para o resto do ano.

A torcida do Cruzeiro tem fama de exigente, ate chata em alguns momentos, mas tem feito sua parte, esteve ao lado do clube nessa fase tenebrosa, que parece durar bem mais que merecemos.

É tempo de eleições, as chapas ainda estão sendo formadas, há muitas incertezas e discussões políticas, mas ainda assim, o torcedor espera ansiosamente pelo fim do ano, para que talvez, com a troca de dirigentes, o Cruzeiro volte a ser o gigante que sempre foi. E quando esse dia chegar, é certo que estaremos lá, como tem sido sempre.

 

Foto: Washington Alves/Divulgação