Pela transferência do Horto para outra cidade

Thalita Ezequiel

Galo escalado, time todo de reservas, jogo fora de casa contra uma equipe do sul (geralmente carrascos), na zona de rebaixamento. O goleiro titular não viajou, o primeiro reserva machuca no aquecimento, o segundo reserva também não foi devido a dores musculares. Vamos de quarto goleiro. Começa o jogo, zagueiro machuca em seu primeiro lance. Vamos de estreia de zagueiro da base. Receita para o fracasso? Incrivelmente não! A opção pela equipe reserva nesse domingo contra a Chapecoense foi questionada por alguns torcedores. Se o time titular não consegue ganhar do Sport em casa, os suplentes seriam capazes de vencer a Chape fora? E foram.

Vejo dois motivos para tal feito. O primeiro foi a maior aplicação tática defensiva. Ainda que houvesse um certo desentrosamento e falta de ritmo de jogo, observamos que os laterais não avançavam tanto e os meias Marlone, Otero e Luan, no segundo tempo, voltavam sempre para compor a segunda linha de quatro. O segundo motivo foi a vontade e o comprometimento. Não teve espaço para brincadeira, para achar que é craque ou para deixar de acompanhar o adversário na marcação. Estavam todos focados no resultado. E o resultado veio em jogada de Valdívia na linha de fundo (saudades jogada de linha de fundo…), para conclusão de Marlone sozinho de cabeça na área.

O jogo foi de sofrimento, com baixo percentual de posse de bola e poucas finalizações (ainda que em número maior do que no jogo anterior, pasmem). Não foi um futebol bonito e sabemos que a equipe pode apresentar mais. Mas foi o necessário para o momento delicado vivido pelo time, diante da maratona de jogos que está por vir. Os destaques individuais positivos foram Cleiton, um pouco afobado no início, mas mostrando uma segurança impressionante na saída de bola, a dupla de zaga, que não brincou em serviço e entendeu que às vezes é preciso jogar a bola pro mato que o jogo é de campeonato, Leonan, que demorou um pouco a entender a marcação, mas depois que encaixou mostrou que é o reserva imediato na lateral esquerda, e Luan, que em seu primeiro minuto de jogo já deu uma bicicleta e três carrinhos, no melhor estilo menino maluquinho.

O Galo no momento tem a terceira melhor campanha fora de casa, mas um número de pontos ridículo dentro de casa, o que nos faz pensar que talvez seja interessante a transferência do Horto para outra cidade. Chegamos a 13 pontos no campeonato e estamos a somente três pontos do G4. Espero que essa folga para descanso e treinamento do time titular sirva para reagirmos na hora certa. E também que possamos tirar dessa vitória, com um time mais limitado, porém comprometido, lições para a evolução tática e desenvolvimento de uma equipe competitiva para as decisões nos próximos dias.

 

Foto: Bruno Cantini/Divulgação