O que fazer?

Thalita Ezequiel

O jogo dessa quarta-feira contra o Sport era para emendar duas vitórias, o que o Galo ainda não conseguiu no Brasileiro. Depois de uma vitória fora de casa, nada melhor que vencer o fraco Sport no Horto para recuperar algumas posições da tabela e pensar em almejar alguma coisa além de fugir do rebaixamento. Mas o que vimos foi mais um empate, com gostinho de derrota. E dessa vez, nem mereceu vencer.

O Galo se mostra um time desorganizado, sem estrutura tática, com pouca força defensiva e sem criatividade nenhuma no ataque. A fragilidade da defesa é um problema há alguns anos. Fica sempre o questionamento se a culpa é dos zagueiros, dos volantes ou dos laterais. O retorno do nosso capitão trouxe um alento na zaga. Santana ainda é instável, mas compromete menos ao lado de Leo Silva.

Já no meio, alguns apontam Rafael Carioca como culpado e dizem que é a maçã podre do elenco e já derrubou alguns técnicos. Outros insistem que ele é técnico, tem bons números e só é criticado porque torcedor gosta de botineiro. Eu fico com o primeiro grupo. Ainda que goste de volantes técnicos, a função defensiva do volante é diminuir espaços no meio, proteger a zaga, dar combate. E isso ele não costuma fazer. Claro que não é o único culpado ali.

Ontem, Ralph sentiu a titularidade e entregou duas bolas muito perigosas. Elias pouco contribuiu para a marcação, apesar de poucas boas chegadas à frente. E Roger Bernardo não mostrou a que veio, o que é compreensível pois foram seus primeiros 45 minutos com a camisa alvinegra. E nas laterais, Alex Silva levou um banho e Fábio Santos, que ainda não foi bem esse ano, continuou uma água. Soma-se a isso, Robinho, que deveria fechar a linha de quatro pela esquerda, mas não tem fôlego para isso. Com a defesa desarrumada já estamos um pouco acostumados, apesar de insatisfeitos.

A novidade desse ano fica por conta do ataque pouco inspirado. Ontem foram somente quatro finalizações, número ridículo para quem joga em seus domínios contra uma zaga fraca. Cazares é um jogador excepcional, mas está jogando sozinho. Robinho não consegue render nem metade do que rendeu ano passado, Fred mostra dificuldade até para dominar a bola e os laterais custam a fazer uma jogada produtiva. Os tais volantes técnicos não chegam para aumentar as opções ofensivas. E, assim, vemos um futebol burocrático, refém da genialidade de um só jogador.

E de quem é a culpa nisso tudo? De Roger, que não consegue organizar o time e não mostra coragem de barrar alguns jogadores, como Robinho ou Fábio Santos? Do elenco, que parece não conseguir traduzir em futebol os conceitos passados pelo técnico? Da diretoria, que se mostra mais omissa e despreparada a cada dia? E como resolver esse imbróglio? Temos algumas opções. A mais fácil, que é mandar Roger embora. A mais difícil, que é trocar peças do elenco. E a impossível, que é exigir a renúncia de Kalil da prefeitura e seu retorno ao cargo mais importante de Belo Horizonte.

O que acontece é que a demissão de técnicos já foi tentada repetidas vezes, sem sucesso. Mas também não sabemos se Roger será capaz de fazer esse elenco jogar, a tempo de evitar vexames incompatíveis com o momento do clube. Nepomussono tem uma difícil escolha pela frente e não acho que tenha competência para optar. Tudo que sei é que algo tem que ser feito. Rápido!

 

Foto: Bruno Cantini/Divulgação