Seja a mudança que você quer ver no mundo

Bárbara Ezequiel

Em 17 de junho de 2017, o Cruzeiro abriu as portas para influenciadores digitais poderem conhecer a estrutura da Toca II e participarem de uma roda de conversa com o Tinga, gerente de futebol. Uma ação inédita, com o intuito de aproximar clube e torcida.

Quando eu soube desse evento, fiquei bastante satisfeita. Acho mesmo que faltavam ações desse tipo aqui, primeiro, porque é um reconhecimento a um trabalho bacana que vem sendo feito, nas redes sociais. Segundo, porque aproxima torcedor e clube. O trabalho da imprensa não agrada tanto a uma parte da torcida (me incluo nessa) e o Twitter e blogs de torcedores acabam sendo uma fonte útil de informação.

Apesar disso, um aspecto que me chamou atenção e que me incomodou, foi a falta de mulheres nesse evento. Fui parar para refletir sobre isso, tentar pensar em mulheres que fazem esse tipo de trabalho e que poderiam estar entre os convidados e tive dificuldade.

Todos sabemos que o futebol é um ambiente predominantemente masculino, que as mulheres têm lutado há anos para ganhar espaço nesse meio. A melhora vem acontecendo, já vemos mais mulheres no estádio, sozinhas, inclusive. Mas está longe do ideal.

O que aconteceu no sábado, é um reflexo dessa realidade e por mais que me desagrade, não acho certo jogar pedras no Cruzeiro por causa disso. Não acredito que tenha sido uma ação premeditada do clube, até porque foi um teste e se os resultados forem bons, acho improvável que não vá se repetir.

Vejo o que aconteceu como uma oportunidade, tanto para o Cruzeiro, que pode incentivar meninas a escreverem mais, a se envolverem mais, quanto para nós, torcedoras. A discussão é importante, tem que acontecer mesmo, mas com senso crítico.

E mais do que nos revoltarmos, é hora de fazer alguma coisa para mudar essa situação. Futebol é lugar de mulher sim e o Cruzeiro é nosso também.

 

Foto: Washington Alves/Divulgação