A falácia do grande elenco

Thalita Ezequiel

Não consegui ver o jogo de ontem contra o Vitória. E, por todos os comentários que li e ouvi até agora, vou encarar como livramento. Quando vi a escalação, já sabia que o potencial de fracasso se aproximava percentualmente da rejeição do Temer. Mesmo contra o lanterna do campeonato, mesmo precisando vencer. Uma linha defensiva com Yago, Felipe Santana, Erazo e Danilo não perdoa. Ainda mais quando à frente dessa linha, se encontra um meio que não dá combate.

Sim, claro, o Galo ganhou o Mineiro e foi o primeiro colocado geral na fase de grupos da Libertadores. Mas alguém que vê o time jogar hoje tem confiança? Eu sinceramente não tenho. E vamos atacar aquele que se muda mais facilmente. Roger, você é a vítima da vez. Vítima de uma defesa que não foi reforçada. Vítima de uma zaga que teve como última contratação certeira (bota certeira nisso!) e duradoura Leonardo Silva em 2011. Vítima de meias técnicos que acham que toque de bola é tudo, mas que velocidade e poder de marcação não condizem com seu refinamento. Vítima de um ataque velho, que não ajuda na recomposição e, pelo menos esse ano na maioria dos jogos, nem na criação e conclusão de jogadas.

Figurando entre as piores defesas brasileiras desde 2015, entra treinador e sai treinador, nada muda. A marcação continua frouxa e não vemos os atacantes e meias se esforçando para defender coletivamente. Com isso, a ideia moderna de compactação que Roger tenta implantar vai ficando cada vez mais distante. Caminhamos, então, mais uma vez, para um desastre defensivo. Só que, dessa vez, sem grandes feitos no ataque. Receita perfeita para a derrota. Será que não é hora de mudar um pouquinho a mentalidade? Talvez, quem sabe, fazer diferente e manter o treinador. Mudar algumas peças que não estão contribuindo para a engrenagem funcionar ao invés de trocar o técnico da máquina.

Hoje temos escancarada diante de nossos olhos a falácia do grande elenco. Mesmo que levássemos em consideração que jogamos com muitos desfalques, a diferença entre titulares e reservas não pode ser um abismo. O planejamento deve ser feito no início da temporada pensando que disputaremos cinco competições, que o calendário é ridículo, que vamos precisar de mais de um time em condições de jogar em alto nível. Bom, aparentemente, isso não foi levado em consideração. Vamos aos paliativos então. Espero um zagueiro de qualidade, um lateral direito, um camisa 10. Peço o sumiço do Danilo (parafraseando o grande Alexandre Kalil: se for para trazer muxiba, melhor pegar alguém da base), a descida do trono do Rafael Carioca, o banco de reservas para Robinho. Quero recuperar a confiança num time que me deu tanta esperança de sucesso com os elogios dos jogadores à metodologia de treino no início do ano.

 

Foto: Bruno Cantini/Divulgação