Sejamos razoáveis

Bárbara Ezequiel

“A cultura de trocar treinadores como primeira solução tem que acabar” parece valer só para o time dos outros. Vemos treinadores sendo demitidos prematuramente e logo torcemos o nariz, “comportamento imediatista” dizemos, até o momento em que nosso time tem resultados ruins. Pois bem, é exatamente o que se passa na torcida no Cruzeiro, nesse momento. Mano Menezes, que até o ano passado, era o salvador da pátria para muitos, já não serve mais.

Reconheço que esperava um início de ano bem mais consistente, que o time já tivesse um padrão mais regular, um futebol mais seguro. Isso não aconteceu. E após os dois últimos anos medíocres que tivemos, a torcida não tem mais paciência para brigar na metade de baixo da tabela do Brasileiro. Apesar de também estar insatisfeita, não tenho convicção de que a troca de treinador nesse momento seria a solução ideal. Estamos em junho, o Brasileiro já começou, o elenco tem ótimos jogadores e Mano Menezes pode não ser o treinador dos meus sonhos, mas é sim competente.

Sobre o jogo de ontem, a escalação do Henrique improvisado, fazia até certo sentido. Com a pressão da derrota em casa contra a Chapecoense, as vaias da torcida e sem Dedé e Caicedo, Mano tinha duas alternativas: colocar Murilo, novo e inexperiente, ao lado do Léo, que todos sabemos, tem limitações, ou usar um volante experiente e bom de marcação, para fazer o papel de zagueiro. Não acho a segunda opção tão absurda assim. O problema todo foi a expulsão, justamente do Henrique, com menos de 10 minutos de jogo. Não tem estratégia que se sustente em um cenário como esse, especialmente fora de casa, com a torcida adversária inflamada, contra um time que está indo bem nos jogos em casa.

A tragédia estava anunciada, todos esperávamos pelo pior. E o gol adversário logo veio, escancarando o nervosismo do time, em uma cobrança rápida de falta, quando os jogadores do Cruzeiro, nervosos, estavam mais preocupados em se queixar com o juiz, que com o time adversário.

A minha surpresa, porém, foi ver o time do Cruzeiro se segurar com unhas e dentes para sustentar o resultado e até criar chances para empatar o jogo. O que só não aconteceu por esse péssimo hábito que nossos jogadores que criaram de não acertarem o gol, em chances claras pra isso. Apesar de o momento ser ruim e da impaciência justificada do torcedor, quero focar nesse ponto positivo. Vontade de dar a volta por cima esse time mostrou que tem, o grupo parece estar unido. Se o treinador tiver humildade e reconhecer os erros que cometeu, pode ser que a sorte vire de novo pra nós. E a solução óbvia de demiti-lo, não precise ser a única afinal.

 

Foto: Washington Alves/Divulgação