Bom empate (ou não)

Thalita Ezequiel

Seria um ótimo resultado. Seria. Não fossem os pontos perdidos em casa contra Fluminense e Ponte Preta, estaríamos comemorando o ponto conquistado e os dois pontos tirados do Palmeiras na Allianz Arena. Não fosse o meio campo perdido e a ausência de saída de bola, o resultado teria sido ainda melhor.

Tudo bem, podemos dar alguns descontos. Ainda que o Campeonato Brasileiro não permita vacilos e exija uma constância que há alguns anos o Galo não apresenta, o início foi mais difícil para nós. Pegar uma sequência com Flamengo e Palmeiras fora e um Fluminense e uma Ponte Preta bem treinados em casa logo no início foi uma pedreira, ainda mais pesada considerando as ausências de jogadores importantes tão cedo. Junta-se a isso o fato de estarmos aprendendo a jogar de forma diferente e, sabemos (ou deveríamos saber), todo aprendizado leva tempo.

O jogo de ontem mostrou algumas coisas interessantes. A primeira é a importância do Marcos Rocha na saída de bola. Ele é a válvula de escape da defesa, que após ser tranquilizada (às vezes até demais) pelo Rafael Carioca, procura uma transição com o meio. Ouvi muitos dizendo que a torcida corneta o Rocha e, quando ele se lesiona, vê a falta que faz. Muita calma nessa hora. Temos que diferenciar corneta de críticas. Eu sou uma torcedora que critica a postura defensiva do nosso lateral, mas sem dúvidas reconheço seu potencial ofensivo e de transição. Claro que preferia sua presença ontem na lateral direita, mas me questiono se ele não deixaria a linha defensiva de quatro jogadores exposta para brincar de bobinho no campo de ataque como fez contra a Ponte. E, tentando ver algum lado bom em sua ausência pelos próximos meses, me pergunto se um lateral direito mais forte na marcação não daria mais estabilidade para nossa tão questionada defesa.

Outro ponto chave do jogo contra a SEP foi a troca do Elias pelo Otero. Ah, o Otero… raça para dar e vender, mas zero produtividade. Além de perdermos o poder de marcação do Elias pela direita, ajudando na cobertura do lateral, ainda ficamos sem suas infiltrações que surpreendem o adversário e desmontam as linhas defensivas. E o que ganhamos com Otero? A possibilidade de uma falta bem batida. E só. O venezuelano não consegue traduzir sua vontade em assistências, finalizações e desarmes. Não conseguiu fazer sequer uma jogada pela linha de fundo, uma tabela. E num jogo em que Cazares esteve muito abaixo do que pode render, ficamos sem alguém que assumisse esse papel de armação. Aprecio sua vontade e o poder da bola parada, mas, que me desculpem os fãs, acho muito pouco para a composição do meio de campo ofensivo.

Terceira consideração: Robinho. O menino Robson não rendeu absolutamente nada ontem. Sabemos do seu enorme potencial, mostrado no ano passado com vários gols e assistências. Mas fico pensando o que Robinho rendeu esse ano. Sim, eu sei que a lesão no início da temporada o prejudicou. Ainda assim, espero que ele chame a responsabilidade para si e tente mudar o jogo, não se esconda no meio da defesa adversária, busque a bola no meio quando faltar saída. E não é isso que estamos vendo. Quando o Valdívia entrou no segundo tempo e deu opções, cavou faltas, tabelou, eu fiquei pensando se não seria mais útil ter um jogador como ele em campo, mais propositivo e com maior poder de recomposição defensiva, e guardar o Robinho para cadenciar o jogo no segundo tempo.

Para finalizar, uma palavrinha sobre a zaga. Felipe Santana, muito questionado por uma falha em um clássico de pouco ou nenhum valor no início da temporada, vem crescendo. Ainda dá alguns sustos, mas que mal faz um infartozinho de vez em quando, não é mesmo? Melhorando sua saída de bola, é um zagueiro que pode entregar o que esperávamos dele no início do ano. E penso que tem potencial para isso. Vamos aguardar.

Avante no campeonato brasileiro, Galo. Caminhamos para a quinta rodada ainda e há tempo para a reação. Esperamos que a sequência teoricamente mais tranquila contra Avaí, Vitória e Atlético-PR possa nos colocar em uma posição mais condizente com o nosso time!

 

Foto: Bruno Cantini/Divulgação

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